Quanto pesa um filho no orçamento familiar?

Para controlar todos os gastos associados aos seus filhos siga as dicas de poupança em várias áreas-chave e fases da vida.

filhos orçamento artigoHoje em dia são muitos os desafios à parentalidade moderna: qual a melhor forma de educar; como preparar os filhos para o futuro; como equilibrar a carreira e a vida profissional; como passar tempo de qualidade com as crianças e garantir rendimentos extras ao mesmo tempo, para fazer face a todas as despesas mensais; como escolher a melhor escola, sem arruinar o orçamento familiar? Estas são algumas das questões que mais preocupam os pais desde o momento que os filhos nascem até à idade adulta.

A verdade é que, com a chegada dos filhos, as despesas de uma família disparam inevitavelmente. Desde as fraldas ao leite, passando pelo berço e fraldário, roupas, carrinho de passeio, brinquedos, até às mensalidades do infantário, lanches escolares, atividades extra curriculares, explicações, festas de aniversário, visitas de estudo, campos de férias, semanada e mesada, tudo somado, a parcela que os seus filhos ocupam no orçamento mensal pode ser bastante considerável. Além disso, quando a família cresce aumentam também os gastos fixos a nível doméstico: eletricidade, gás, água e supermercado são algumas das contas que disparam.

De acordo com um estudo de 2013 levado a cabo pelo Centre of Economics and Business Research para a seguradora Liverpool Victoria, no Reino Unido, o custo global de criar um filho até aos 21 anos ascende a cerca de 283 mil euros, um aumento de 104 mil euros (123,5%) no espaço de uma década, sendo que os gastos com educação, por exemplo, mais do que duplicaram (de 41,4 mil euros para 92,5 mil euros). Um outro estudo divulgado em Espanha pela organização de consumidores CEACCU revela que cada filho custa em média entre 98 e 310 mil euros, até aos 18 anos. Leia também o artigo:  Como tornar o seu filho num milionário 

Por cá, os dados mais recentes são de um estudo da Universidade de Coimbra, coordenado pelo psicólogo Eduardo Sá e realizado em 2008, de acordo com o qual os pais portugueses de classe média gastam em média entre 236 e 678 euros por mês com cada filho (até aos 25 anos), em fraldas, médicos, comida, roupa, desporto, livros, propinas e mensalidades escolares.

Tendo em conta estes valores, não é por isso de estranhar que a taxa de natalidade em Portugal esteja a registar mínimos históricos, com muitas famílias a optarem por ter apenas um filho para lhe proporcionar, por exemplo, o acesso às melhores escolas privadas. De acordo com o “Inquérito à Fecundidade 2013”, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística em parceria com a Fundação Francisco Manuel dos Santos, 75,1% das pessoas em idade fértil não tencionam ter filhos nos próximos três anos.

De regresso ao orçamento mensal das famílias, e de acordo com as regras das finanças pessoais, não existe uma percentagem pré-definida para o peso que cada filho deve representar nos gastos gerais, podendo esta variar muito dependendo da situação de cada família. Para controlar todos os gastos associados ao seu filho siga as regras do bom senso e conheça estas dicas de poupança do Saldo Positivo em diversas áreas-chave e em cada uma das fases da vida do seu filho. Leia também o artigo:  Como preparar financeiramente a chegada de um bebé? 

 

1. Fraldas e outros gastos do bebé

A somar a todos os outros avultados gastos inerentes ao nascimento de um bebé, as fraldas são um dos bens de primeira necessidade em que os pais mais dinheiro gastam, sendo que muitas famílias aproveitam as promoções dos supermercados para comprar grandes quantidades e armazenar, ou então optam pelas marcas brancas, com preços mais competitivos. De acordo com o livro “ABC da Poupança”, uma das formas de poupar em fraldas é optar pelos modelos de pano (reutilizáveis), que exigem um investimento inicial um pouco superior mas acabam por compensar a longo prazo. É importante ter em consideração que um bebé usa fralda, em média, até aos três anos de idade, o que equivale a um consumo médio de 6.000 fraldas.

Da mesma forma, em vez de toalhitas, use uma fralda de algodão ou compressas embebidas em água morna (para uma poupança de 180 euros por ano) e na alimentação privilegie a amamentação (já que cada lata de 800 gramas de leite em pó custa em média 17 euros), de acordo com o “ABC da Poupança”. Para sopas e papas, dê preferência às confecionadas em casa e no vestuário opte por artigos emprestados ou comprados em segunda mão. Leia também o artigo: Quatro erros que os pais cometem na educação financeira dos seus filhos. 

 

Exemplo:

* ‘Pack’ de fraldas recém-nascido (2 a 4 quilos) + ‘Pack’ 5 fraldas de pano (capa de fralda + absorvente reutilizável; tamanho único ajustável dos 4 aos 16 quilos) – 50,90 euros + 95 euros = 145,9 euros

* Das marcas mais baratas às mais caras, o preço unitário de uma fralda pode oscilar entre 10 e 37 cêntimos por unidade, o que multiplicado por 6.000 fraldas dá um gasto total entre 600 e 2.220 euros.

 

 

2. Creche, infantário e escola

Neste capítulo, e existindo possibilidade para tal, a melhor opção tanto para o bebé como em termos de poupança, é que os primeiros anos da criança sejam passados em casa com alguém de família (avós, por exemplo). Além de poupar no valor da mensalidade do infantário ou de uma ama, o bebé estará mais protegido das doenças típicas da infância e por isso irá menos vezes ao médico e consumirá menos medicamentos, reduzindo assim a fatura com a saúde e farmácia.

Claro que para muitas famílias este cenário não é, de todo, possível e aí torna-se imperativo escolher uma escola com a mensalidade mais adequada ao orçamento familiar. Também aqui existem opções para todas as carteiras, desde as Instituições particulares de solidariedade social (onde o valor é calculado consoante o rendimento dos pais) até aos colégios privados mais dispendiosos. Não se esqueça que é importante também escolher um estabelecimento perto de casa ou do local de trabalho, para reduzir a necessidade de deslocações extra de automóvel ou transportes públicos.

A partir dos seis anos e do 1º ano do ensino básico, pode optar entre uma escola pública (onde apenas tem de pagar a alimentação da criança ou o ATL, em caso de permanência na escola a partir das 17h30) ou por uma escola privada (por norma, tanto mais cara quanto mais avançado for o ano de escolaridade). Nos últimos anos, e em virtude da crise económica, foram muitas as famílias a trocar o ensino privado pelo público, por questões financeiras. Leia também o artigo: 12 apps para todas as etapas escolares dos seus filhos

 

Exemplo:

* Creche + Jardim-de-infância (dos 4 meses ao pré-escolar) com gestão da junta de freguesia, na zona da Grande Lisboa (alimentação incluída) = 300 euros por mês x 11 meses = 3.300 euros por ano

* Colégio privado na mesma zona da Grande Lisboa (entre os 2 e os 5 anos) – entre 277 e 290 euros por mês + alimentação – entre 100 e 120 euros = entre 4.290 e 4.499 euros por ano

 

 

3. Materiais escolares

É no mês de setembro que o orçamento das famílias normalmente fica mais sobrecarregado com o regresso às aulas e a necessidade de adquirir os manuais escolares e todo o restante material necessário para o início do ano letivo. Somando ainda a roupa e os sapatos mais adequados a um novo inverno que se avizinha. De acordo com um estudo do Observador Cetelem, em parceria com a Nielsen, no ano letivo 2014/2015 as famílias portuguesas esperavam gastar em média 509 euros no regresso às aulas (menos do que em 2013). O mesmo estudo revelou ainda que existem cada vez mais pessoas que optam por pedir manuais escolares emprestados a amigos ou familiares (32%) ou por adquiri-los em segunda mão (23%).

Para poupar no regresso às aulas, o “ABC da Poupança” avança várias dicas, como por exemplo comprar os manuais escolares ‘online’ ou durante as campanhas de promoção (poupança entre 10 e 15% do valor total dos livros, que pode ser desconto direto ou em cartão de fidelização), aproveitar os saldos de verão para comprar roupa e sapatos (poupa até 80%) aproveitar materiais em bom estado do ano letivo anterior (poupança média de 50 euros), entre outras estratégias. Leia também o artigo: 10 dicas financeiras de pais para filhos

 

Exemplo:

* Gasto médio por filho no regresso às aulas em 2014 = 509 euros

 

 

4. Centros de estudos e atividades extra curriculares

Não se tratando de necessidades de consumo imprescindíveis para o desenvolvimento de uma criança (como as anteriores), a verdade é que cada vez mais pais optam por proporcionar aos seus filhos as melhores experiências possíveis, investindo parte do seu orçamento mensal no apoio ao estudo e atividades extra curriculares, como a prática de vários desportos, formação musical, aprendizagem de línguas estrangeiras, entre outras. No que diz respeito aos centros de estudos e explicações, os preços podem variar muito: entre 130 e 150 euros para uma mensalidade que dá direito a sala de estudo acompanhado; ou explicações individuais por um valor entre 70 e 140 euros, consoante o nível de ensino.

Já no capítulo das atividades extra curriculares, as ofertas são muitas e os preços também: treinos de futebol numa das escolas de um grande clube da primeira Liga, que podem variar entre os 25 e os 50 euros por mês; aulas de natação que podem custar entre 12 e 35 euros mensalmente, caso se trata de uma piscina municipal ou de um clube privado; ou uma academia de música especializada, onde as aulas de iniciação ao piano podem custar mais de 100 euros por mês. Leia também o artigo: Dicas para gerir melhor e conseguir poupar nas despesas de educação dos seus filhos

 

Exemplo:

* Natação para crianças 2 vezes por semana numa piscina municipal na zona da Grande Lisboa = 20 euros por mês

* Natação para crianças 2 vezes por semana num clube privado = 35 euros

 

 

5. Natal e festas de aniversário

Para todas as crianças, o Natal é a altura do ano mais esperada e na lista de desejos dos mais pequenos os brinquedos estão no topo das prioridades. De acordo com o estudo “Intenções de Compra para o Natal 2014” do Observador Cetelem, as famílias portuguesas planeiam oferecer vestuário (53%), brinquedos (44%), produtos culturais (32%), perfumes e relógios (29%), com um gasto médio esperado de cerca de 183 euros em presentes de Natal este ano. Para que o orçamento natalício dedicado aos seus filhos não derrape, peça para elegerem apenas duas ou três prendas preferidas e dessas opte por aquelas que têm uma melhor relação qualidade/preço. Aproveite também as campanhas de promoção que começam já no mês de novembro, com descontos que podem ir até 50% em cartão.

No que toca a festas de aniversário, estes são também momentos altos na vida de uma criança. Mais uma vez, as opções são quase intermináveis e existem preços para todas as carteiras, desde os espaços para festas que podem ser reservados com muita antecedência e a custo zero (gastando apenas o valor associado ao lanche das crianças e ao bolo de aniversário), a outros que têm um custo fixo por tempo pré-definido mas em limite de convidados (exemplo: 100 euros pelo aluguer de um espaço durante três horas), até às opções mais caras que envolvem algumas horas de brincadeira parques de insufláveis, entre outras atividades, e nas quais os valores podem oscilar entre 10 e 15 euros por cada criança convidada (com lanche incluído). Leia também o artigo: Três receitas para fazer com os seus filhos

 

Exemplo:

* Festa de aniversário em associação cultural (três horas de aluguer do espaço, sem limite de convidados nem lanche incluído) = 100 euros

* Festa de aniversário em parque de insufláveis (três horas, 15 euros por criança, lanche incluído, 20 convidados) = 300 euros

 

Nota: Este artigo foi originalmente publicado no dia 19 de novembro de 2014

 

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