Saiba como as emoções podem arruinar as poupanças

Conheça algumas emoções que podem originar uma derrocada na sua conta bancária.

emo2O valor que damos ao dinheiro é influenciado pela forma como ele nos faz sentir: por trás de cada moeda que gastamos há uma emoção envolvida, quer seja o prazer de comer, de comprar algo que necessitamos ou que faça os outros sentirem-se melhores. O que começou por ser um meio de troca, com o tempo “adquiriu um significado subjetivo e afetivo, promovendo reações antagónicas”, explicou Joana Cloethens, psicóloga clínica no Canto da Psicologia, ao Saldo Positivo. Há quem adore o dinheiro, quem o odeie e procure formas alternativas de sobrevivência, quem veja no dinheiro uma forma de obter “status” e de alimentar o ego; e há ainda quem lide de forma saudável com este meio de pagamento, mas ninguém o ignora. Conheça algumas emoções que podem originar uma derrocada na sua conta bancária e arruinar as poupanças.

 

Comprar por compulsão pode arruinar as poupanças

Quase todas as pessoas já sentiram a felicidade de comprar algo que realmente as faz sentir bem, quer seja porque é o resultado de um esforço financeiro feito ao longo do tempo, porque precisavam realmente daquele artigo ou simplesmente porque foram conduzidas por um ímpeto de consumo. Qualquer que seja o motivo, a sensação de prazer é um grande motor e algumas pessoas tendem a deixar-se levar por essa sensação de prazer. Segundo a psicóloga, este descontrolo está relacionado com as “três molas catalisadoras da humanidade que são: querer, desejar e poder. Comprar traduz uma atitude de poder, por conseguir mostrar aos outros que tem meios para adquirir e, consequentemente, se sentir mais forte e poderoso”. E prossegue: “Esta compulsão pode ser agravada, quanto maior for a necessidade de compensar fragilidades internas, sobretudo no que diz respeito à autoimagem, ao reconhecimento e valor pessoal”.

A maior facilidade na concessão de crédito também representa um papel importante no desencadear de situações de sobre-endividamento. Se antigamente era necessário poupar durante vários anos para adquirir algo, com a abertura do crédito nas últimas décadas tudo passou a ser mais fácil. “O consumidor deixou de precisar de esperar, de lidar com a frustração, tornando os seus desejos em concretizações fáceis. Naturalmente que, em muitos casos, a sensação de prazer mais tarde transformou-se em preocupação e sofrimento”.

 

Emoções: como contornar a compulsão de gastar dinheiro?

Na maior parte dos casos, as pessoas não assumem conscientemente esta compulsão. Por isso, o primeiro passo para controlar este comportamento deve começar na aceitação da existência do problema e a psicoterapia é o caminho indicado, refere a psicóloga.

Até chegar a esse caminho, deve-se estabelecer limites que regrem a gestão do dinheiro com base na premissa de comprar o que pode e não o que deseja. “Definir pequenas grandes estratégias como: Estabelecer um ‘plafond’ ajustado e intransponível de acordo com as receitas; dar prioridade à liquidação de dívidas em detrimento de novos gastos; partilhar com alguém de confiança a sua dificuldade e que tenha a capacidade para ajudar a implementar estas estratégias, no sentido mais cooperante e menos crítico. Por último, optar pelo uso do dinheiro mais realista em detrimento dos cartões de multibanco e cartões de crédito”, termina Joana Cloethens.

Quatro emoções e estados de espírito que podem conduzir à ruína financeira

1. Depressão

É importante distinguir as pessoas que têm problemas de sobre-endividamento, entre as que sofreram uma situação anómala associada a condições externas incontroláveis (como uma situação inesperada de desemprego ou doença que as impeça de ter rendimentos durante determinado período da sua vida), daquelas que, pela compulsão da compra ou investimento, construíram em seu redor uma espiral que as levou ao sobre-endividamento. Para a psicóloga, “estas últimas poderão estar num registo psicológico ou psiquiátrico mais desorganizado, que terá desencadeado comportamentos de risco económico mais graves”.

Por isso, a família e amigos devem assumir uma postura mais cooperante e compreensiva por oposição a uma atitude critica. O primeiro passo é ajudar a pessoa a refletir e a assumir que tem um problema, e depois encaminhá-lo no sentido de procurar ajuda, tanto psicológica como financeira.

 

2. Amor: Compensar falhas afetivas com presentes

Não é invulgar vermos relacionamentos amorosos em que um dos membros tenta “comprar” o amor do outro com presentes ou experiências maravilhosas, que por vezes são penosos para o seu orçamento. Ou então, pais que tentam colmatar a sua ausência através de presentes para os filhos. Compensar a falta de tempo ou de afeto com presentes não é uma boa estratégia. Joana Cloethens explica porquê: “A obtenção de gratificação torna-se a razão central para a relação existir e os presentes são o veículo afetivo daquilo que cada pessoa sente. Porém, o que sentimos deve ser expresso de várias formas e não apenas confinado a um objeto palpável”. É nas atitudes, nas interações e nas experiências que devem estar as expressões do afeto e não apenas em bens oferecidos.

 

3. Inveja

“A galinha da vizinha é sempre melhor do que a minha”, diz o ditado popular. E, para muitas pessoas, este desejo de ter algo que outra pessoa tem pode ser o início de uma espiral de dívidas. Segundo a psicóloga, aqui tocamos em dois pontos complicados das relações sociais da sociedade moderna: o incentivo ao consumo e competitividade. “O desejo de obter algo que o outro sujeito tem, meramente porque este o tem, deixa escapar uma certa fragilidade. Uma pessoa segura e confiante da sua identidade tenderá a não se sentir ameaçado perante alguém que tenha algo que ele não tem”, explica Joana Cloethens.

Nestes casos deverá questionar-se sobre o que lhe falta internamente e não em termos materiais. “Refletir e desenvolver alguma capacidade de autoanálise, facilita o encontro de algumas respostas que são chaves fundamentais para melhorarmos as nossas atitudes e traduzirmos mais saudável e harmoniosamente as nossas emoções”, prossegue a psicóloga.

 

4. Prazer

Algumas pessoas simplesmente têm prazer em arriscar, gostam da possibilidade de ganhar ou perder e de viver nessa corda bamba. Esta adrenalina pode, em muitos casos, tornar-se num vício e levar ao descontrolo emocional e financeiro. “É necessário ter em consideração o perfil de competitivo que lhes confere plasticidade na gestão do risco. No entanto, são pessoas que têm uma forte necessidade de se superarem a si mesmas, que obtêm prazer e satisfação especiais no risco, deixando-se à mercê de fatores voláteis como a sorte ou o azar”, como explica a psicoterapeuta.

Estas pessoas tendencialmente vão arriscando de forma cada vez mais desafiante, “o que lhes confere um sentimento de poder e omnipotência mais acentuados do que aqueles que não correm riscos”. Como em tudo, é necessário haver algum equilíbrio. Quem arrisca demasiado, está sujeito a perder tudo e entrar em situação de bancarrota. Nesse sentido, é importante procurar ajuda antes que seja tarde demais.

 

Onde procurar ajuda?

Com o aumento dos números das famílias sobreendividadas em Portugal, começaram a surgir algumas entidades que se propõem a ajudar os agregados a endireitar as contas. Se está sobreendividado, é importante começar à procura de ajuda financeira. Conheça alguns sítios onde pode começar a procurar ajuda.

– Gabinete de Apoio ao Sobreendividado (DECO). Ajuda a renegociar as dívidas (exceto as contraídas por atividade profissional, dívidas fiscais (IVA, IRS, IRC) ou à Segurança Social), e a controlar o orçamento familiar. O apoio é gratuito, mas pode existir uma lista de espera. Pode entrar em contacto através de telefone (21 371 02 38) ou por escrito através do e-mail gas@deco.pt.

– Rede Nacional de Apoio ao Consumidor Endividado (RACE). Presta ajuda aos clientes bancários em dificuldades no cumprimento do crédito. Esta rede é composta por várias entidades que ajudam, aconselham e acompanham pedidos de ajuda em risco de incumprimento ou que tenham já prestações em atraso. Veja aqui quais a entidades que compõem esta rede e como contactá-las.

– SOS Famílias Endividadas. Fornecem apoio na reestruturação das dívidas, aconselhamento e elaboram um plano de pagamento de dívidas. O aconselhamento é gratuito, no entanto, tudo o resto tem um custo, que pode oscilar entre os 750 e os 2 mil euros. Para contactar a SOS Família Endividadas, preencha o formulário presente no site.

– APOIARE. É uma associação sem fins lucrativos que pretende ajudar os consumidores a enfrentarem uma situação de endividamento através de acesso a técnicos especializados. Para saber mais sobre a APOIARE, veja o seu site. Veja aqui como contactar a associação.

 

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