Como um “treinador” pode ajudá-lo a encontrar emprego

Se está desempregado ou à procura de um novo rumo, saiba como um treinador pode ajudá-lo nesta tarefa.

coach1Sabia que pode contratar um “treinador” para o ajudar a encontrar emprego? Se o Cristiano Ronaldo, fenómeno por natureza e considerado o melhor jogador de futebol da atualidade, precisa de um treinador (‘coach’) que o ajude a brilhar ainda mais, porque não recorrer a um treinador que o ajude a potenciar ao máximo as suas capacidades e a encontrar o emprego que tanto deseja? Há cada vez mais profissionais que o podem ajudar nesta tarefa árdua. São os ‘career coaches’, ou consultores de emprego em português. Se nunca ouviu este termo é natural que se questione: “Mas como podem ajudar-me a encontrar emprego?”. A resposta é simples: podem ajudá-lo a obter o mais importante para quem procura um lugar ao sol no mercado de emprego, ou seja, a demarcar-se da concorrência.

Não é segredo que o desemprego é um flagelo que abraça muitos portugueses. Apesar de a taxa de desemprego ter caído no último trimestre de 2013, ainda existem 826,7 mil portugueses que estão sem trabalho, segundo dados do INE. Isto significa que por cada vaga de emprego há centenas de pessoas que se candidatam, tornando a tarefa de conseguir emprego ainda mais complicada. O ‘career coaching’ irá ajudá-lo a avaliar as suas competências e a tomar decisões críticas sobre a sua carreira e direção.

 

Desemprego: um emprego a ‘full time’

Segundo Ricardo Peixe, consultor de carreira da Insideout, o ‘career coaching’ é um conjunto de técnicas que irão “ajudar a pessoa a conhecer-se a ela própria, o que gosta e o que não gosta, o que a apaixona, o que corre bem e o que corre mal”. Para além desta ajuda pessoal, o ‘career coaching’ também é útil para compreender o mercado, pois “irá ajudar o desempregado a perceber como é que está o mercado, se existe procura para aquilo que quer fazer, onde é que existe essa procura e se está disponível para trocar de cidade”. Muitas vezes, neste processo de autoconhecimento e de prospeção, chega-se à conclusão que não existe oferta de emprego para as capacidades que o desempregado tem para oferecer. “Nestes casos, procuramos ajudar a pessoa a reorientar-se noutro sentido, ou seja, procurar outra profissão, de acordo com os seus talentos, o que gosta e que poderá fazer com paixão, abrir-lhe as perspetivas”, explica o autor do livro “Emprego Bom e já!”.

Para além das situações relacionadas com as questões pessoais, como o autoconhecimento e as competências que pode melhorar, um consultor de carreira também ajuda na abordagem ao mercado, dando apoio na elaboração do currículo, apresentação, entrevistas e contacto às empresas.

Mas não só. A ajuda aos desempregados passa pela “focalização, ou seja, unir todos os esforços para alcançar determinado objetivo. Muitas vezes o que acontece é que como um desempregado tem sempre o dia livre, acaba por adiar a procura e o envio de currículos. Depois os dias, as semanas, os meses vão passando e chega-se ao fim do tempo do subsídio e pouco fica para atingirem os seus objetivos. O ‘career coach’ cria um compromisso e obriga as pessoas a focalizar aquilo que são os seus objetivos. ”, explica Miguel Beirão, ‘career coach’ da NewayFocus.

Segundo o especialista coaching, as suas ferramentas baseiam-se nas técnicas de PNL (programação neurolinguística), ou seja, reprogramar a mente. “Quando ponho uma pessoa a pensar no que gostaria de ter como trabalho e a ‘fazer o filme’, estou a tentar reprogramar a sua mente. Quando as pessoas se visualizam a fazer determinada coisa é muito mais fácil terem iniciativa”, prossegue.

Estas técnicas irão ajudar a pessoa a recentrar, “a perseguir os seus sonhos há muito tempo escondidos, a definir objetivos – o que querem fazer esta semana e para a próxima, e criar um compromisso para os obrigar a serem autodisciplinados, que é algo que a maior parte das pessoas não consegue. A maior parte das pessoas só se pressiona quando têm um chefe que lhes pede alguma coisa, mas quando têm mais tempo é mais difícil manterem a disciplina”, conclui Miguel Beirão.

 

Treinador para desempregados e não só…

O ‘career coaching’ não é útil apenas para os desempregados. “O pressuposto é poder acompanhar pessoas em transição ou que estejam desempregadas. Na situação de transição, as pessoas sentem que a empresa pode fechar ou querem mudar, porque não se sentem recompensados. Mas a maior parte das pessoas estão desempregadas e querem reduzir o tempo de procura”, diz Miguel Beirão.

Ricardo Peixe corrobora “embora a maior parte das pessoas que chegam a mim estejam desempregadas ou insatisfeitas com o atual trabalho, o ‘career coaching’ é para ajudar as pessoas no seu trabalho de progressão de carreira”.

 

Seis erros cometidos por quem procura emprego

– Considerar que o mercado lhes deve alguma coisa. “Porque já estão à procura há algum tempo e já deviam ter encontrado emprego, as empresas deviam responder, valorizá-los mais…. Muitas vezes os desempregados acham que o mercado lhes deve alguma coisa, quando não deve nada, eles é que têm o dever de mostrar o que valem ao mercado”, diz Ricardo Peixe.

– Pensar dentro da caixa. “Fazem o normal e esperado: mandam o currículo em formato europeu, por correio eletrónico para a empresa, dizendo candidatura espontânea e isso põe-nos no mesmo lado que todos os outros 400 que hoje também o fizeram, não há nada que os distinga. Desta forma, a empresa não consegue ver essa diferença porque fez exatamente o que os outros fizeram”, diz o consultor da Insideout.

– Dourar a pílula do currículo. “Tentarem iludir, mentir ou ‘dourar demasiado a pílula’. Uma coisa é destacar os pontos positivos, outra coisa é dizer coisas que não fizeram, falar de projetos em que não participaram, alterar resultados negativos para positivos… Mas cada vez mais as empresas procuram pessoas sinceras e estas mentiras podem correr mal”, prossegue Ricardo Peixe.

– Adiar a procura. “Por terem tempo livre, os desempregados podem ter tendência para pensarem que têm o dia de amanhã para fazer as coisas. Está errado, a procura de emprego deve ser feita todos os dias e deve-se procurar construir uma rotina para procurar”, diz Miguel Beirão.

– Focar-se na internet. “As pessoas pensam que na internet é fácil encontrar emprego e que há outras formas de procurar trabalho, depois esquecem-se de outras alternativas para fazerem a procura de emprego, como bater à porta da empresa ou procurar nos jornais”, explica o especialista.

– Ter uma visão limitada. “As pessoas não pensam para lá da sua rede de contactos, não pensam em aumentar ou recuperar a sua rede de contactos, e hoje em dia a melhor forma de arranjar emprego é através da rede de contacto. É preciso regar constantemente a rede de contactos, mesmo quando ainda se está empregado”.

 

Sucesso elevado

Segundo os dois ‘career coaches’, a taxa de sucesso destes programas é de 100%. “Das 16 pessoas que estou a acompanhar desde o ano passado, todas estão empregadas. Alguns na área que pretendiam, outros com algumas variações”, exemplifica Miguel Beirão.

Segundo Ricardo Peixe encontrar trabalho depende muito da disponibilidade das pessoas, “mas neste momento, todas as pessoas que passaram pelo processo e foram até ao final, estão empregadas. Mas há pessoas que estão dentro do processo, que dura mais ou menos dois meses (em média)”.

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