Sete lições sobre dinheiro que todos devem saber

Gerir bem o dinheiro não é uma tarefa muito complexa, mas requer alguns conhecimentos básicos.

dinheiroSegundo o inquérito à literacia financeira da população nacional levado a cabo pelo Banco de Portugal em 2010, cerca de 11% da população não tem conta bancária e, deste universo, 67% dizem não ter rendimento que o justifique. Apesar destes dados não serem animadores, a gestão do dinheiro não é uma tarefa muito complexa basta ter alguns conhecimentos básicos sobre finanças pessoais que o ajudem a organizar as contas, cumprir com as obrigações mensais, poupar e ainda ter dinheiro para as despesas extra. Conheça sete dicas sobre dinheiro que toda a gente devia saber.

 

1. Quanto mais cedo começar a poupar melhor

É uma das lições básicas de finanças pessoais, mas que nem sempre é aplicada. No essencial, significa que quanto mais cedo começar a colocar dinheiro de lado – para a reforma, para comprar uma casa ou um carro – menos irá custar. Por dois motivos. O primeiro é que se tiver 20 anos para juntar 20 mil euros, o esforço mensal é muito inferior do que se o fizer em apenas 10 anos. Em 20 anos terá de colocar de lado 83,33 euros por mês, em 10 anos o esforço mensal sobe para 166,67 euros. O segundo motivo está relacionado com o investimento dessas poupanças: é possível fazer crescer o dinheiro sozinho, bastando para isso estar sempre a investir o dinheiro e os juros acumulados. Por exemplo, se colocar mil euros num depósito a prazo com uma taxa de juro líquida de 4%, ao final de um ano terá amealhado mais 43,20 euros sem fazer esforço financeiro. Se depois reinvestir esse mesmo dinheiro (1.043,2 euros), num produto com as mesmas condições, no final desse ano juntou mais 45 euros a esse valor. Faça aqui uma simulação de quanto podem valer as suas poupanças.

 

2. Não gastar mais dinheiro do que ganha

Parece um raciocínio lógico, mas muitas pessoas têm demasiadas dívidas tendo em conta os seus rendimentos, entrando numa situação de sobre-endividamento, ou então vivem de ordenado em ordenado, sem deixar espaço para a poupança. Num orçamento familiar financeiramente saudável, os créditos devem pesar no máximo 30% para que seja possível cumprir com as obrigações mensais, pagar as contas do supermercado, ter dinheiro para alguns encargos extra (como jantar fora de vez em quando ou comprar uma peça de roupa) e ainda haver margem para a poupança. Para que as contas não resvalem em situações pontuais, como o desemprego ou um gasto inesperado com o carro, deverá ter sempre um fundo de emergência, onde deverá constar o valor equivalente a seis meses de despesas fixas. Veja o Guia para fazer um fundo de emergência

 

3. Invista sempre as poupanças

Nunca é demais lembrar que não há nada mais lesivo para o dinheiro, do que não ser aplicado num produto de poupança que tenha, pelo menos, rendimentos acima da inflação. Caso contrário, dentro de alguns anos, aquilo que eram 10 mil euros de poupança passam a valer muito menos. A título de exemplo se a inflação estiver sempre a 2%, esses mesmos 10 mil euros apenas valem 8,2 mil euros dentro de alguns anos. Por isso, a melhor forma de defender as suas poupanças é investi-las em produtos com rendimentos acima da inflação. Saiba mais sobre o efeito da inflação nas suas poupanças.

 

4. Quanto maior o retorno, maior o risco

Perder algum do dinheiro que se angariou ao longo de anos é um dos maiores pesadelos dos investidores. No entanto, o binómio risco-retorno faz parte do dia-a-dia dos investidores: quanto maior o risco, maior a possibilidade de retorno. Na maior parte dos casos, risco é sinónimo de não haver capital garantido, ou seja, em vez de ganhar, poderá perder algum dinheiro. Porque ninguém quer ficar descapitalizado, deve investir as suas poupanças de acordo com a pirâmide do investimento: a base da pirâmide – a maior fatia – deve estar aplicada em produtos seguros, com capital garantido, mesmo que o retorno não seja o melhor, como os depósitos a prazo. A parte do meio deve ser constituída por produtos de risco-médio, como sejam os fundos de investimento mistos. A extremidade da pirâmide será composta pelos produtos de elevado risco mas maior probabilidade de retorno, como as ações ou fundos de investimento de ações. Não se esqueça que o peso que cada classe de ativos deve ter na carteira está dependente do perfil do investidor e do seu horizonte temporal.

 

5. Diversificar para multiplicar

“Nunca se deve colocar todos os ovos no mesmo cesto”. Esta é outra das grandes máximas dos investidores. Não deverá colocar todo o seu dinheiro num produto de baixo risco, sob pena de não estar a rentabilizar as suas poupanças da melhor forma, mas também não se deve apostar todo o dinheiro num ativo de elevado risco, senão está a correr o risco de perder todas as suas poupanças. Assim, a diversificação é a melhor amiga de um investidor, por isso a recomendação de investir as poupanças em pirâmide, para que a subida de determinados ativos possa compensar a descida de outros, assumindo que, no longo prazo, quase todos os investimentos tendem a valorizar. Não é necessário ter o dinheiro investido em 20 produtos diferentes, apenas que os investimentos que tenham taxas de retorno e de risco diferentes.

 

6. Não cair em armadilhas financeiras

A ânsia de ganhar dinheiro a curto prazo pode levar algumas pessoas a cair na tentação dos investimentos menos sérios, como os esquemas em pirâmide. Também conhecidos como pirâmide financeira, estes são esquemas em que, aparentemente, é fácil ganhar dinheiro: é necessário investir determinado montante e trazer mais pessoas para o sistema para ganharem dinheiro com isso. Até que chega o momento em que a pirâmide é grande demais, os “investidores” deixam de ser pagos e começa a quebrar. Por isso fica o conselho: invista o seu dinheiro em mercados financeiros regulados por entidades de confiança.

 

7. Faça poupanças automáticas

Nem todas as pessoas são suficientemente regradas para colocar algum dinheiro de lado todos os meses. Nesses casos, o melhor é aderir à poupança automática, ou seja, assim que o salário cai na conta bancária, automaticamente é-lhe subtraído um valor que é canalizado para um produto de poupança, como uma conta poupança ou um PPR. É conveniente que seja para um produto que permita reforços mensais. Desta forma, não só está a fazer alguma poupança como ainda acaba com o risco de gastar o dinheiro assim que o recebe.

 

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