Sete perguntas e respostas sobre crédito com taxa fixa

Se está a ponderar realizar um crédito à habitação com taxa fixa, é importante que equacione bem.

taxa_fixa1Há cada vez mais portugueses a contratar crédito à habitação com taxa fixa. De acordo com números do Banco de Portugal, entre janeiro e agosto de 2016, 31% do crédito concedido para efeitos de habitação foi realizado a taxa fixa, quando no mesmo período do ano anterior o seu peso era de apenas 7%. Em valor, significa que nos primeiros oito meses de 2016, os bancos concederam 1.152 mil milhões de euros de crédito à habitação a taxa fixa, quando no mesmo período do ano passado o valor era de 176 milhões.

Se está a ponderar realizar um crédito à habitação com taxa fixa, é importante que equacione bem. Conheça a resposta a sete dúvidas sobre a taxa fixa.

 

1. O que é a taxa fixa?

Quando pede um empréstimo ao banco para comprar casa poderá optar entre a taxa fixa ou variável. Se escolher a taxa fixa, a prestação mensal irá manter-se inalterada durante o prazo previsto no contrato e poderá durar até ao fim do contrato, mas também pode ser definida apenas para um determinado prazo. Por exemplo: contrata um crédito à habitação a pagar em 30 anos, mas escolhe pagar os primeiros sete anos com taxa fixa.


 

2. Qual é a diferença entre taxa fixa e taxa variável?

Nos créditos à habitação com taxa de juro variável, a taxa de juro resulta da soma do indexante (Euribor) e o ‘spread’. No momento da contratação pode escolher o prazo da Euribor, sendo que os prazos mais utilizados são a três e seis meses. Sempre que esse prazo termina, a taxa de juro muda, tendo em consideração o valor em que se encontra o indexante nesse momento. Por exemplo: Se escolher indexar o crédito à Euribor a três meses, a taxa de juro do empréstimo é revista trimestralmente, pelo que o valor da prestação mensal irá alterar-se de três em três meses. Isto significa que a prestação poderá subir ou descer, consoante o valor da Euribor.

Por oposição, se optar por um crédito com taxa fixa, a taxa de juro é definida quando celebra o contrato e mantém-se inalterada durante o prazo acordado. Durante esses anos a prestação mensal mantém-se igual. Este prazo pode coincidir com o prazo total para o reembolso do empréstimo ou pode ser por períodos (por exemplo, 7 anos).

 

3. Como se define a taxa fixa?

De acordo com informação do Portal do Cliente Bancário, para definir a taxa fixa, os bancos tomam em consideração, por regra, a taxa de juro ‘swap’ – a taxa de juro fixa de referência do mercado interbancário. A ‘swap’ é uma taxa de médio/longo prazo para diferentes prazos e que assume valores diferentes para cada um desses prazos. Segundo um exemplo do portal Todos Contam, na determinação da taxa fixa a cobrar ao cliente pelo prazo de cinco anos, a instituição de crédito tem em atenção a taxa de juro fixa que durante esses cinco anos ela própria irá pagar para obter os fundos que vai emprestar. Tenha em atenção que nem sempre os bancos fixam a taxa tendo em conta a taxa de juro ‘swap’, por isso, antes de tomar esta decisão, informe-se sobre a forma como é que fixam a taxa de juro.

 

4. E se quiser amortizar?

Se, a determinada altura da vida, pretender amortizar uma parte do capital em dívida, poderá fazê-lo, no entanto, se tiver um crédito com taxa fixa, pagará uma comissão superior do que se for um crédito com taxa variável. Nos contratos com taxa de juro variável, os bancos não podem cobrar uma comissão superior a 0,5% do capital que pretende reembolsar. Caso se trate de um crédito com taxa fixa, esta comissão não pode ser superior a 2% do que valor que irá amortizar. Por exemplo: Se tiver um crédito com taxa fixa e quiser amortizar 5.000 euros, pagará 100 euros. Já se o crédito for com taxa variável, o valor baixa 25 euros.

Caso queira fazer uma amortização total do valor em dívida, as comissões que o banco poderá cobrar são as mesmas: 0,5% no caso de ter uma taxa variável e 2% se for fixa.

 

5. Posso mudar o regime da taxa de juro a meio do crédito?

Se tem um crédito à habitação com taxa de juro variável e pretender alterar para taxa fixa (ou vice versa), é necessário ter a concordância do banco. Caso a instituição bancária aceite fazer esta alteração não poderá cobrar uma comissão, nem fazer depender a mudança da contratação de outros produtos bancários. No entanto, esta renegociação dos termos do contrato normalmente representa uma revisão das condições financeiras do crédito, nomeadamente, o ‘spread’.

 

6. Quais as vantagens?

Num empréstimo a taxa fixa, o valor da prestação não se altera. A vantagem da taxa de juro fixa é que sabe quanto irá pagar ao banco todos os meses durante o prazo em que esta está fixa, protegendo-se de uma subida da Euribor.

 

7. Como escolher?

Um crédito à habitação é um compromisso a longo prazo, que deve ser bem ponderado. Para comparar melhor os custos totais do crédito e qual a situação mais vantajosa para o seu caso, olhe para a segunda parte da FIN (Ficha de Informação Normalizada), que é composta pelo plano financeiro.

Este é dividido em quatro partes: o plano financeiro da simulação que fez, outros dois planos em que a taxa de juro é acrescida, respetivamente, de um e dois pontos percentuais e, por fim, o plano financeiro do “empréstimo padrão” (com taxa de juro variável indexada à Euribor à qual acresce o ‘spread’ base e cujo reembolso se processa em prestações constantes de capital em juros).

 

 

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