Vejo com preocupação a queda da poupança das famílias

Faria de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, falou ao Saldo Positivo sobre os temas da poupança e da literacia financeira.

Faria artigoNum ambiente em que as taxas de juro estão nos níveis mais baixos de sempre, muitos consumidores fazem contas ao seu dinheiro: Com a remuneração associada aos produtos de poupança a registar valores muito baixos, os consumidores acabam por considerar que neste momento é mais vantajoso consumir do que poupar. Em entrevista (feita por mail) ao Saldo Positivo, o presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), Fernando Faria de Oliveira, diz ver com “ grande preocupação” esta nova tendência e sublinha que a “poupança é absolutamente essencial para a economia”.

Para estimular os níveis de poupança, sobretudo da poupança a longo prazo, o responsável pela associação que representa o setor bancário português sugere a introdução de taxas de imposto diferenciadas consoante o objeto e o horizonte temporal das aplicações financeiras.

Já no que diz respeito ao tema da educação financeira dos portugueses, o presidente da APB salienta o trabalho que tem sido desenvolvido pelo Conselho Nacional de Supervisores Financeiros e avisa que ainda há muito trabalho a fazer nesta área já que os níveis de iliteracia ainda permanecem elevados.

 

A APB é uma das entidades em Portugal que mais tem apostado na promoção da literacia financeira. Quais as razões que levam a associação a fazer um investimento nesta área?

A atuação da APB na promoção da literacia financeira corresponde, em primeiro lugar, a um dever cívico e a um desiderato da responsabilidade social do setor. Por outro lado, resulta da constatação de que quanto melhor preparados estão os clientes dos bancos para tomarem as suas decisões financeiras mais benefícios mútuos se obtêm. O fator risco (de incumprimento), por exemplo, é minimizado e o fator benefícios otimizado.

A conjugação destas duas ordens de razões faz com que a Educação Financeira seja também um importante vetor da estratégia de recuperação da reputação da banca.

Assim, a APB está empenhada em colaborar ativamente com o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros na sua estratégia nacional de educação financeira, desenvolve as suas próprias ações e exerce também uma função de congregação de iniciativas dos bancos seus associados.

 

Uma das atividades que a APB realiza no campo da educação financeira são as ações formativas junto do público. Nestas ações de formação, quais são as principais lacunas de conhecimentos financeiros que a APB identifica nos consumidores?

A realidade que se encontra através das ações de formação desenvolvidas pela APB reflete o trabalho de análise mais aprofundado e alargado dos níveis de literacia financeira da população portuguesa que tem vindo a ser desenvolvido pelo Banco de Portugal. É a população jovem e estudante, assim como a mais idosa, quem apresenta graus menos satisfatórios de conhecimentos financeiros.

Por outro lado, fatores como a existência de um baixo grau de instrução ou de rendimentos reduzidos estão muitas vezes associados a menores níveis de literacia. Quanto há compreensão dos produtos e serviços bancários, e nomeadamente no que diz respeito a produtos tão relevantes como o crédito, há um caminho importante ainda a percorrer.

 

Conheça as ações de formação financeira da APB

A estratégia da APB para a promoção da educação financeira em Portugal assenta em vários projetos. Um deles é o site Boas Práticas, Boas Contas que pretende, através de casos práticos e realistas, dar a conhecer à população informação útil e descomplicada sobre o modo de funcionamento dos serviços financeiros.

A APB desenvolve também ações de formação financeira para o público em geral. Por norma, estas ações decorrem em parceria com as autarquias e a entrada é gratuita. Além disso, e com o objetivo de preencher “as necessidades de informação dos jornalistas” e para que “estes contribuam para uma melhor compreensão e interpretação dos temas financeiros e bancários em Portugal”, a Associação Portuguesa de Bancos contempla também um conjunto de ações formativas para jornalistas.

 

Em 2010, o Banco de Portugal lançou aquele que ainda é hoje o mais completo estudo sobre a literacia financeira dos portugueses. Os resultados revelavam na altura um grande défice de conhecimentos financeiros por parte da maioria da população. Desde essa altura até agora, considera que os níveis de educação financeira melhoraram?

Os níveis de iliteracia financeira são ainda genericamente elevados. A sensibilização (e as ações) para esta matéria é ainda recente. Estamos perante um trabalho de gerações, sendo, no entanto de relevar aquele que já foi realizado sob a égide do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros na conceção, sistematização e coordenação de ações de formação e o desenvolvido pelas instituições financeiras, quer no âmbito do grupo de trabalho da APB quer, principalmente, os da sua própria iniciativa.

“Os níveis de iliteracia financeira são ainda genericamente elevados. A sensibilização (e as ações) para esta matéria é ainda recente. Estamos perante um trabalho de gerações”

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